O Setor Têxtil Português e as Tendências de Mercado

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O setor têxtil português atravessou uma grave crise no final dos anos 90 e no início da década passada, mas está finalmente a dar a volta por cima. Sendo um dos setores estratégicos da economia portuguesa, com grande implantação em especial no Norte do país, o têxtil conseguiu, através de uma mudança de estratégia e de uma aposta na requalificação do tecido produtivo e na internacionalização, inverter a tendência de quebra.

Para isto, o setor conseguiu responder a dois desafios que se lhe apresentavam: a necessidade de apostar na qualidade, e de responder a um mercado mais diversificado.

Aposta na qualidade

A entrada “em cena” de países como o Bangladesh no mercado têxtil global significou que Portugal já não poderia competir através dos preços baixos. O nível de vida e as diferenças cambiais entre a Europa e a Ásia Oriental significaram que o preço médio dos produtos vindos de lá poderia ser inferior ao dos portugueses, mesmo tendo em conta o transporte. Por isso, restava ao têxtil nacional enveredar pelo caminho da produção de qualidade e pela flexibilização da sua capacidade produtiva, de forma a responder de forma mais personalizada às necessidades específicas de cada cliente.

Diversificação dos gostos e das modas

Na sua obra de 1980 “A Terceira Vaga”, Alvin Toffler descrevia as mudanças sociais e culturais que a tecnologia em desenvolvimento poderia vir a trazer. Toffler argumentava que, por oposição à sociedade de massas que caracterizou grande parte do Ocidente ao longo do século XX, a Terceira Vaga traria uma dispersão dos gostos, uma vez que os meios de comunicação massificados e unidirecionais (a rádio, a televisão) seria substituídos por outros, muito baratos e que permitiriam, no limite, que cada pessoa tivesse a sua voz. Sem descrever explicitamente a internet e as redes sociais e os canais de TV por cabo, Toffler acertou nesta previsão; o advento da web trouxe consigo uma maior individualização de gostos estéticos e de consumo menos transversais.

Este fenómeno tem impacto na roupa que as pessoas vestem, pelo que indústria portuguesa teria de se saber adaptar a este novo paradigma.

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